Aécio Neves cria Taxa de Incêndio e quem pega o fogo é o contribuinte



O povo não agüenta mais pagar tantos impostos. E para completar, a Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou no dia 18 de abril mais uma taxa a ser paga pela população – a Taxa de Incêndio, já batizada de "Imposto do Nero". Criado pelo governador Aécio Neves, o Projeto de Lei 1.078/2003 é um novo tributo, que tem o objetivo de arrecadar mais de R$ 50 milhões para equipar o Corpo de Bombeiros, a disposição da população em casos de incêndios.

Apesar da oposição das bancadas do PT e do PCdoB, o projeto foi aprovado por 51 votos a 20. Em contrapartida, os deputados do Pt entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, questionando o tributo a ser criado pelo governo que prevê a cobrança anual da Taxa de Incêndio para residências acima de 75m² e para os imóveis comerciais e industriais. A proposição do governo Aécio prevê a criação e aumento de várias taxas cobradas pelo estado por serviços utilizados pelo cidadão e pelas empresas.

O que o povo não sabe é que essa taxa fere o artigo 152 da Constituição do Estado, por fazer distinção em relação a municípios, o que é proibido pelo artigo. Além disso, ela não leva em consideração a capacidade contributiva tratada no inciso II do artigo 145 da Constituição Federal, de modo que um morador de um barracão de 75m² numa favela paga o tributo, ao passo que o dono de um flat de 74m² na zona sul é isento.

O povo também não sabe é para onde vai esse dinheiro. Estão previstos somente 50% da arrecadação para cobrir os custos do Corpo de Bombeiros; o restante vai para o cofre único do estado. Isso implica na incerteza do destino da arrecadação.

O contribuinte que não pagar essa taxa corre o risco de ter seu nome incluso na lista do SPC, do Serasa e na da Dívida Ativa. A taxa já está sendo cobrada através de correspondência específica, que chegará pelo correio para toda a população. O valor não vem explícito: é o contribuinte quem tem que medir a sua casa e calcular a quantia a ser paga.

O deputado estadual Rogério Correia, do PT, foi quem batizou a taxa de incêndio de "Imposto de Nero", relembrando o imperador acusado de ter provocado o incêndio que destruiu Roma durante seu reinado, no início da era cristã. O deputado propôs à sociedade DESOBEDIÊNCIA CIVIL, para o não pagamento da taxa.

A grande mídia silenciou-se sobre a inconstitucionalidade do novo tributo e não criticou a postura do governo. Ao contrário, tem veiculado incêndios atrás de incêndios (em um incidente em alojamento dos Sem Terra, retomando o desastre em Ouro Preto, até a novela já pegou fogo!), numa tentativa de motivar a população a pagar o imposto e legitimando a postura do governador Aécio Neves.

Sendo assim, enquanto não sair o resultado do TJMG, no dia 26 de abril de 2004, a população não deve pagar a taxa de incêndio. Colabore divulgando essas informações antes que comecem a nos cobrar taxa de pão, de leite, de polícia, de hospital e todas aquelas que eles quiserem. Ajude a divulgar esse absurdo antes que incendeiem os nossos bolsos!



Por Cristiane Lima, estudante de Comunicação Social da UFMG e Coordenadora de Comunicação da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária – ABRAÇO – BH.
 crislima1@yahoo.com.br

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Taxa de incêndio: apague essa idéia

Alair Ribeiro
 alair71@terra.com.br – 9982-7571


Os governos, sejam eles quem for, seja de que país for, são parasitas. Vivem de sugar os outros. Não plantam, não colhem, não produzem, não vendem, não compram. São sanguessugas que vivem do dinheiro do povo. Um dinheiro cuja obrigação de pagar nos é imposta. Donde seu nome. Imposto.

No fim do ano passado, sorrateiramente, o governo do Estado de Minas Gerais, Aécio Neves, fez nossos representantes, os deputados estaduais, aprovarem uma tal de Taxa de Incêndio, que já ia valer para o ano seguinte. Este, de 2004. Como foram os representantes do povo que aprovaram a cobrança, foi o povo que aprovou. Bem feito. Quem mandou não saber votar. Agora paga e não bufa.

Só que um dos representantes da população, que foi contra a cobrança e foi voto vencido, deputado Rogério Correia, do PT, entrou na justiça argüindo a inconstitucionalidade da taxa. Ou seja, dizendo com todas as letras que a tal cobrança é contra a lei e pedindo à população que não a pague.

O povo, que nessa luta do rochedo contra o mar, marisco que é, acaba virando pó, é ameaçado pelo sanguessuga do estado de ser incluído na dívida ativa e até de ser cobrado judicialmente. Com medo, ele paga. Com medo, ele faz a festa dos políticos, dos corruptos, dos bandidos. Com medo, o povo faz qualquer negócio. A imprensa se omite, por ser do governo, “por uma coisa à-toa, uma noitada boa ou um corte de cetim”.

O governo estadual jura e escreve que a taxa é só para os bombeiros, para compra e manutenção de equipamentos e veículos contra incêndio. Acredite se quiser. Seu guru maior, Fernando Henrique Cardoso, quando presidente, também jurou que a CPMF, imposto sobre o cheque, seria para a saúde, somente para a saúde, nada mais que a verdade. Mentira. A saúde jamais viu nem sombra deste imposto e com certeza os bombeiros mineiros vão arder nas chamas eternas se foram esperar a taxa de incêndio. Ainda mais em ano de eleição!

Teve um jornalista que rasgou a guia de cobrança da famigerada taxa e a jogou no lixo. Um taxista que não sabe que leite, que pão ou que escola vai deixar de pagar para doar o dinheiro para o governo. Teve um cidadão, daqueles honestos da gema, que comunicou ao Estado que sua casa era, a maior parte moradia e, um pedaço, escritório comercial. Bobo! Paga pela casa inteira a taxa de incêndio e paga pelo pedaço, que é comercial, outra taxa maior, que o fogo comercial é mais caro..

Diz o governo que a taxa é cobrada “em função do grau de risco de incêndio na edificação”. Bobagem das grossas. Quem conhece alguém que teve seu apartamento, sua casa, seu prédio incendiado? Notícias de incêndio só acontece em favelas, que não pagam taxas, em acampamento de sem-terra irresponsável e em prédio histórico, em lugar do qual se quer construir um big hotel para turistas ricos. Nos apartamentos e casas melhorzinhos, que se enquadram na taxa de incêndio, nada pega fogo a não ser as brigas entre pais, entre filhos e entre pais e filhos.

Assim sendo, dos R$ 50 milhões que vão ser arrecadados, nem R$ 1 milhão vai ser usado para apagar fogo. Vai ser usado então para quê? Ademais, Belo Horizonte já passou dos 100 anos e até hoje não precisou de uma taxa de incêndio. Por que precisa agora, véspera de eleições municipais que podem fortalecer um governador, que arde em chamas de desejo de ser presidente da República? Sé se for para apagar essas chamas!

Eu não pago. Mesmo porque sou totalmente favorável ao governo de Belo Horizonte, ao governo de Minas, ao governo federal e a todos os governos que pregam a plenos pulmões: “Arrumou gasto? Arrumou conta para pagar? Arrume a receita. Indique de onde vou tirar o dinheiro”.

É assim que faço com meus filhos, é assim que faço com o sr. Aécio Neves. Quer que eu lhe pague a taxa de incêndio? Pago, com prazer, se o senhor me indicar de onde vou tirar o dinheiro. Do meu eu não tiro porque ele é contado e utilizado com parcimônia e seriedade. Eu não pari Mateus, também não vou embalá-lo. O senhor que o fez, que o faça!




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20/04/2004 - DEP. CHICO SIMÕES PT/MG

Taxa de Incêndio é ilegal

BELO HORIZONTE - "Vamos fazer de tudo para envolver o contribuinte nesta
luta de resistência contra o apetite fiscal do governo mineiro", salientou
ontem o deputado estadual Chico Simões (PT), Líder da Minoria na Assembléia.
O movimento visa a derrubada da Taxa de Incêndio que o Governo do Estado
começou a cobrar esta semana. Segundo ele, nesta quinta-feira (22) o bloco
de oposição formado pelo PT/PCdoB irão promover um Ato Público na Praça
Sete, em Belo Horizonte, a partir das 16 horas. Para o evento estão sendo
mobilizadas lideranças do movimento social e de defesa do consumidor.
Também será intensificada a sensibilização e agilização da Justiça.
Vereadores e lideranças do interiro estão sendo orientados a preparar
abaixo-assinado com mensagem dirigida ao Ministério Público e ao Tribunal de
Justiça, cobrando com rapidez no julgamento da Ação Direta de
Inconstitucionalidade impetrada pelos diretórios estaduais do PT e do
PcdoB. O objetivo do movimento, conforme Simões, é que a Taxa de Incêndio
seja declarada inconstitucional pelo TJ, adotando decisão semelhante à do
Supremo Tribunal Federal em relação à Taxa de Segurança Pública instituída
no Ceará.
O Supremo Tribunal Federal, em ação direta de inconstitucionalidade ajuizada
pelo PCdoB, considerou inconstitucional a Taxa de Segurança Pública
instituída por Lei Estadual do Ceará. De acordo com o STF, a segurança
pública não pode ser custeada por taxa, uma vez que a segurança pública não
pode ser considerada um serviço público divisível, mesmo na hipótese de
solicitação de particular para a realização de evento aberto ao público. Uma
vez que se trata de um dever inerente ao Estado, deve ser custeado
exclusivamente pela receita decorrente da arrecadação de impostos.
"Com a decisão do STF no caso de Ceará, acreditamos que a Taxa de Incêndio
criada em Minas também pode ter o mesmo destino: ser considerada
inconstitucional", ressaltou Chico Simões. O governo estadual já está
emitindo boletas de cobrança da taxa de incêndio e o Bloco PT/PCdoB
aconselha que ninguém pague a taxa de incêndio antes do vencimento, em 26 de
abril, a fim de aguardar uma possível decisão judicial.
Convocação - Ontem Chico Simões enviou comunicado para várias lideranças do
interior convidando para a manifestação contra a nova Taxa de Incêndio,
criada pelo governo do Estado. O ato-público será realizado nesta
quinta-feira, 22, às 16h, na Praça 7. "A taxa não é justa nem legal. Não é
correto o governador Aécio Neves insistir em avançar sobre o bolso do
contribuinte, já tão sacrificado, para resolver os problemas de caixa do
Estado", criticou.